Zabé da Loca

ZABÉ DA LOCA
Rainha do Pífano deixa grande legado para a música brasileira

A luta pela vida e a arte. Esse é o maior legado deixado por Zabé da Loca, a Rainha do Pífano, que mostrou ao Brasil a beleza da música nordestina. Ícone da luta de um povo, a musicista, falecida no último fim de semana, aos 93 anos, construiu uma carreira que fortaleceu a cultura nordestina, tendo conquistado vários prêmios, entre eles a Ordem do Mérito Cultural, promovido anualmente pelo Ministério da Cultura (MinC).

Isabel Marques da Silva é o nome original da artista nascida na cidade de Buíque, no agreste pernambucano. A musicista conheceu o som do pífano, a flauta típica do Nordeste, logo cedo. De uma família de músicos, aprendeu a tocar o instrumento com o irmão, aos sete anos de idade. O nome artístico veio da vida passada durante 25 anos em uma loca (espécie de gruta) com a família, no município de Monteiro, no Cariri paraibano.

Apesar de ter iniciado cedo na música, a carreira pública da instrumentista começou tardiamente, aos 79 anos de idade. O primeiro álbum, “Canto do Semiárido”, foi gravado em 2003 e reuniu composições próprias e uma versão de Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Alberto Teixeira. Daí para frente, o sucesso veio rápido. Em 2004, Zabé foi apresentada ao Brasil e começou uma turnê musical pelo país.

A primeira cidade a ser presenteada com sua visita foi Brasília, onde a musicista participou do projeto Da Idade do Mundo, que promovia o encontro de artistas que começaram a carreira tardiamente. Zabé também passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo, entre outras cidades, levando a seu público a alegria e garra do povo nordestino.

A rainha que fez da música uma paixão conquistou vários prêmios e dividiu o palco com nomes ilustres da música brasileira, como Gilberto Gil e Hermeto Pascoal. Em 2008, veio o segundo disco, “Bom Todo”, que lhe rendeu o troféu Revelação do Prêmio da Música Brasileira.

Zabé da Loca era uma artista à frente do seu tempo, que superou o machismo da época e conquistou espaço em um mundo que não dava chances para as mulheres. Foi a primeira mulher a tocar pífano, tendo ensinado a arte para outras mulheres e crianças.

Com o intuito de perpetuar a arte do pífano e empoderar a vida daqueles que aprenderam a arte, Zabé formou, nos anos 90, em parceria com a afilhada e cuidadora Josivane Caiano, um grupo de músicos infantis, com idade entre 6 e 14 anos, chamado Curumins da Serra. As crianças tiveram a oportunidade de viajar por todo o Nordeste e se apresentar em festivais de música da região. O projeto teve apoio via edital do Ministério da Cultura.

Hoje, os artistas mirins são jovens encaminhados na vida. A maioria está na faculdade e contribui com o legado da artista. “Em 2014, criamos a Associação Zabé da Loca para arrecadar recursos e preservar a cultura do pífano. Os jovens que aprenderam a arte com a Zabé formarão a diretoria da Associação”, conta Josivane, que viveu ao lado de Zabé durante 24 anos e abraçou seus projetos de vida. “Todos os incentivos culturais que a Zabé recebeu foram usados para dar continuidade à nossa cultura. Ela fez com que a música regional fosse levada ao mundo e nascessem outros grupos culturais no Nordeste”, completa.

Josivane ressalta que o maior ensinamento deixado por sua madrinha é a dedicação ao próximo. “Zabé é um ser humano grandioso e, com ela, aprendi que quem passa pelo mundo e não faz nada pelo próximo não teve dignidade”, afirma. Poucos dias após a partida de Zabé, Josivane já está cheia de ânimo e projetos para levar a cultura do pífano para mais pessoas. “Nossa cidade (Monteiro) é reconhecida internacionalmente por causa dela e não vamos deixar isso morrer”, promete.

Quem tiver interesse de viajar a Monteiro e conhecer a história de Zabé encontrará um grande acervo da artista. O turista que ingressar na Rota Cariri Cultural visitará o Memorial de Zabé, participará do projeto Som nas Pedras (que leva a música à gruta onde Zabé viveu), visitará os mestres da cultura popular e conhecerá a poesia e o artesanato em renda renascença.

Prêmio Culturas Populares

O trabalho de mestres da cultura popular, como Zabé da Loca, é foco do Prêmio Culturas Populares, promovido pelo MinC. Com inscrições abertas até 28 de agosto, a iniciativa premiará, com R$ 10 mil, 500 iniciativas de mestres, grupos, comunidades e instituições privadas que mantêm vivo o patrimônio da cultura popular do país, além de herdeiros de mestres ou mestras já falecidos. O objetivo do prêmio, que homenageia o mestre paraibano Leandro Gomes de Barros, é estimular uma das nossas maiores riquezas, a cultura feita pelo povo do Brasil.

Serviço

Rota Cariri Cultural
Secretaria de Cultura de Monteiro
Telefone: +55 (83) 3351 1510

Complexo Zabé da Loca
Telefone: +55 (83) 99999 4942 (Josivane Caiano)

Complexo do Congo e São João do Tigre
Telefone: +55 (83) 99969 3346 (Alyson Pereira)

 

Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura