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2017 – Homenagem a Leandro Gomes de Barros

Paraibano nascido em 19/11/1865, na Fazenda da Melancia, no Município de Pombal, é considerado o rei dos poetas populares do seu tempo. Foi educado pela família do Padre Vicente Xavier de Farias (1823-1907), proprietários da fazenda e dos quais era sobrinho por parte de mãe. Em companhia da família “adotiva”, mudou-se para a Vila do Teixeira, que se tornaria o berço da Literatura Popular nordestina, onde permaneceu até os 15 anos de idade tendo conhecido vários cantadores e poetas ilustres.

Do Teixeira vai para Pernambuco e fixa residência primeiramente em Jaboatão onde morou até 1906, depois em Vitória de Santo Antão e a partir de 1907 no Recife onde viveu de aluguel em vários endereços, imprimindo a maior parte de sua obra poética no próprio prelo ou em diversas tipografias. Vale a pena transcrever o aviso no final de um poema, A Cura da Quebradeira, que demonstra suas constantes mudanças e o grande tino comercial: “Leandro Gomes de Barros, avisa que está morando em Areias, Recife, e que remeterá pelo correio todos os folhetos de suas produções que lhe sejam pedidos”.

Sua atividade poética o obriga a viajar bastante por aqueles sertões para divulgar e vender seus poemas e tal fato é comentado por seus contemporâneos João Martins de Ataíde e Francisco das Chagas Baptista.

Foi um dos poucos poetas populares a viver unicamente de suas histórias rimadas, que foram centenas. Leandro versejou sobre todos os temas, sempre com muito senso de humor. Começou a escrever seus folhetos em 1889, conforme ele mesmo conta nesta sextilha de A Mulher Roubada, publicada no Recife em 1907.

Caboclo entroncado, de bigode espesso, alegre, bom contador de anedotas: este é o retrato que dele faz Câmara Cascudo em Vaqueiros e Cantadores. Casou-se com Venustiniana Eulália de Barros antes de 1889 e teve quatro filhos: Rachel Aleixo de Barros Lima, Erodildes (Didi), Julieta e Esaú Eloy, que seguiu a carreira militar tendo participado da Coluna Prestes e da Revolução de 1924. De Leandro só possuímos fotos de meio-busto e uma de corpo inteiro, que colocava em seus folhetos para provar a autoria de seus versos; de sua família, o que ficou para a história foram os folhetos assinados com caligrafia caprichada, sobretudo os de Rachel.

Na crônica intitulada Leandro, O Poeta, publicada no Jornal do Brasil em 9 de setembro de 1976, Carlos Drummond de Andrade o chamou de “Príncipe dos Poetas” e assinala:

“Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro”. E diz mais: “Leandro foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião”.

Mas não foi só Drummond, nosso poeta maior, que reconheceria em Leandro a majestade dos versos. Em vida era tratado por seus colegas como o poeta do povo, o primeiro sem segundo (Athayde) e verdadeiro Catulo da Paixão cearense daqueles ásperos rincões (Gustavo Barroso).

2012 – Homenagem a Amácio Mazzaropi

A edição 2012 homenageou Amácio Mazzaropi, ano que culminou com o centenário de seu nascimento. Mazzaropi nasceu em 9 de abril de 1912, numa pequena casa do Bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Despertou seu interesse pelo teatro desde pequeno.
Em 1919, com sete anos, ao ingressar na primeira escola, o Grupo Escolar do Largo de São José do Belém, torna-se o declamador titular das festas escolares pela facilidade que tinha em decorar poesias. Protagonizou 32 filmes que perpassam pelo imaginário da
cultura popular brasileira. Faleceu em 13 de junho de 1981, em São Paulo. Em 1995, foi fundado o Museu Mazzaropi, em Taubaté, que retrata toda a história do artista.

2009 – Homenagem a Mestra Dona Izabel

A edição 2009 do Prêmio Culturas Populares homenageou a Mestra Izabel Mendes da Cunha, artesã, ceramista e bonequeira do Vale do Jequitinhonha, considerada uma das mais importantes artistas populares do ofício com barro, especialmente a cerâmica. Nasceu em 2 de agosto de 1924, em Córrego Novo, próximo à Itinga, no vale do Jequitinhonha. O desejo pela arte de fazer bonecas começou ainda criança, aos sete anos de idade, em continuidade ao ofício do barro da avó e da mãe que eram louceiras. Depois, com o reconhecimento, Dona Izabel, que, na condição de Mestra, é dona de uma generosidade infinita, passou a ensinar sua arte para seus filhos e para uma legião de seguidores, os quais hoje produzem peças que caracterizam a arte popular e o artesanato da região, tornando famosas em todo o país as bonecas do Vale do Jequitinhonha. Mestra Dona Izabel faleceu em 30 de dezembro de 2014.

2008 – Homenagem a Mestre Humberto de Maracanã

A edição 2008 do Prêmio Culturas Populares homenageou o Mestre maranhense Humberto Barbosa Mendes, mais conhecido como Humberto de Maracanã, por sua contribuição para a promoção de expressões culturais típicas de sua região, como o Bumba Meu Boi. Nascido em 2 de novembro de 1939, em São Luís, comandou por quatro décadas o Boi de Maracanã, como amo, cantor e compositor de toadas ricas em poesia que falam das belezas naturais da região, da força dos seus antepassados africanos e indígenas e do compromisso com divindades e santos como São João Batista. Mestre Humberto tem vários discos lançados, além de toadas gravadas por outros cantores. Faleceu em 19 de janeiro de 2015.

 2007 – Homenagem a Mestre Duda

No ano em que se comemorou os cem anos do frevo, o Prêmio Culturas Populares homenageou o pernambucano Mestre Duda, por seu papel de destaque na construção da história do mais legítimo ritmo binário brasileiro, inicialmente chamado “marcha nortista” ou “marcha pernambucana”. O Maestro José Ursicino da Silva, mais conhecido como Mestre Duda, nasceu em Goiana, interior de Pernambuco, em 23 de dezembro de 1935. Tendo começado o estudo da música aos 8 anos, tornou-se um dos maiores regentes, compositores, arranjadores e instrumentistas de todos os tempos.